quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

TRIAGEM E TRANSPORTE ESPIRITUAL

A MATA REVELA SEUS SEGREDOS – Parte 1

TRIAGEM E TRANSPORTE ESPIRITUAL

Engana-se quem enxerga na mata somente a realidade palpável de sua riqueza biológica, julgando que na vida pulsante visível aos olhos se encerra a realidade existente por entre folhas, raízes e troncos. A vida desdobra-se em inúmeras facetas e dimensões, e a realidade extrafísica assume aspectos ainda mais ricos e detalhados. A vida nas matas não foge deste contexto, e o pulsar da vida exige atenções e cuidados na sua contraparte energética e astral.
Marabô, ou melhor dizendo, um representante desta falange espiritual de guardiões das matas, coloca-se de maneira cordial mas sempre atenta junto ao recanto espiritual neste pedaço do céu na terra que chamamos carinhosamente de Trilha.
Lugar sagrado e abençoado por nosso pai criador que tem abrigado ao longo dos séculos a existência de numerosas etnias e tribos, tanto da realidade física quanto espiritual.
Remonta aos índios Tapes os primeiros sinais conhecidos de ocupação de suas montanhas e cascatas, mas estes também já encontraram no local sinais de ancestralidade ainda mais antiga. Fato que auxiliou os responsáveis mágicos daquelas tribos a identificar a sacralidade daquele local já em suas primeiras excursões exploratórias pela região.
O guardião neste primeiro contato auxilia-nos a elucidar que as primeiras organizações espirituais que se estabeleceram sobre este lugar sagrado, já tinham a preocupação em preservar ou evitar a profanação das energias divinas de locais como este.
Por algum motivo que ainda desconheço, determinadas regiões ou localidades são mais propícias a reunião de energias da natureza de forma mais intensa[1], como uma fonte de abastecimento de energias aos espíritos da natureza ou elementais, como queiram, e outras formas de organização na contraparte astral como postos de socorro, colônias e portais dimensionais de transporte. De uma certa forma, sinto que este local guarda um pouco de tudo isso ao mesmo tempo, não consigo com clareza compreender como isso ocorre, mas tenho a esperança de que esta aproximação com Marabô irá me trazer esclarecimentos úteis para aumentar a minha confusão ou diminuir a minha ignorância...
Não importa qual o caminho ou objetivo final destas interlocuções, mas me sinto privilegiado por Deus e pela mãe natureza em estar junto com Marabô, num local como este e compreender um pouco melhor a sua história ou função nos dias atuais e num passado nem tão distante assim.
Comecemos do princípio, a formação geológica do planeta também segue a propósitos divinos, segundo está sendo mostrado a conjunção de forças no interior do planeta também é controlada por espíritos responsáveis e segue o influxo do desejo da mente superior que governa o nosso planeta, o Cristo cósmico. Os Avissais[2], elementais do reino cristalino e rochoso, sob o comando de espíritos responsáveis pela engenharia planetária, direcionam o fluxo do magma e manipulam o escoamento de elementos materiais (óxidos, sílica, ouro, prata, ferro e demais elementos da tabela periódica) com precisão cirúrgica, como verdadeiras artérias vivas a fluir o sangue mineral no interior do planeta.
Objetivam com isso criar as condições geológicas ideais, com diversas misturas de elementos que sob as condições corretas de temperatura e pressão, resfriamento e hidratação por água, darão origem as formações cristalinas e rochosas que irão compor a geologia do local.
As limitações de encarnado numa mente pouco disciplinada e adestrada são terríveis, sinto que o guardião projeta imagens que elucidam e mostram de forma acelerada e didática tais processos, mas só consigo perceber borrões e pequenas cenas, ainda que compreenda a mensagem do contexto. Talvez, por misericórdia e pelo comando mental vigoroso a que Marabô me submete para não distorcer tanto sua mensagem a perda não seja tão significativa, mas rogo o amparo do alto para não deformar tão importante aprendizado.
O que importa neste caso, é perceber que assim como em outros milhares de lugares espalhados pelo nosso planeta e em graus de intensidade e complexidade ainda maiores, aqui no Trilha foram previstos e estruturados diversas combinações cristalinas, formações rochosas e cavernas interiores com uma finalidade magística e de cunho energético-espiritual. Estruturas que vêm sendo usadas pela espiritualidade superior e, por vezes, infelizmente algumas outras, até pelas organizações das trevas com fins menos nobres, ao longo da história da humanidade.
O guardião se aproxima um pouco mais e, pegando-me de surpresa, amigavelmente põe o braço sobre o meu ombro dizendo:
“O sagrado muitas vezes transcende aos olhos de vocês encarnados, num sentido de que os desdobramentos e a organização envolvida nestes locais, assumir caráter de importância mais complexo e amplo do que suas mentes conseguem conceber.”

O fato é que com uma intencionalidade que agora me espanta, tanto esse lugar quanto milhares de outros, pelo que vejo, funcionam e se prestam a uma série de atividades espirituais e energéticas. Sinto-me um pouco ansioso em saber mais, fazer perguntas e expandir meus conhecimentos, mas tenho que controlar a curiosidade para não interferir ainda mais no processo.
Como já é do conhecimento de muitos, o fluxo de espíritos entre as regiões espirituais que circundam a Terra e a crosta terrestre é intenso e necessário. Diariamente milhares de caravanas, com fins diversos, são organizadas e levam recursos, equipamentos e espíritos enfermos e revoltados, de uma localidade espiritual para outra. A Terra seria um local bem mais insalubre na sua contraparte etérica, caso os fluxos migratórios não fossem sabiamente controlados por mentes competentes e adestradas no comando planetário.
Contudo, o dispêndio energético gasto na movimentação destes grupos espirituais é elevado[3], pois não se trata do deslocamento astral de um espirito cônscio de sua natureza divina e em equilíbrio com o cosmo, que de acordo com sua evolução é capaz de levitar ou teletransportar-se de uma localidade para outra com a força de sua vontade. No caso aqui exposto, falamos da ocorrência da maioria das caravanas socorristas que transportam enfermos e desequilibrados de toda ordem. Mesmo com o amparo do alto, da prece intercessória, o dispêndio energético é avolumado e obriga os caminhantes a pausas necessárias para reenergizar a padioleiros e maqueiros em expedições socorristas.
Desta forma, o mundo maior projetou portais de transporte interdimensionais que facilitassem o fluxo de quantidades mais expressivas de espíritos, em caravanas de maior vulto ou necessidade estratégica determinadas pelos guardiões planetários. Estes locais aproveitam-se da estruturação energética dos referidos sítios vibracionais constituídos de potencial cristalino e rochoso específicos e próprios a este propósito.
Marabô percebe a minha estranheza ao escrever “Portais interdimensionais” pois não desejo parecer ufanista, nos aspecto pejorativo ou extremado de mau uso do termo.
“Acalma a tua mente e procura não julgar simultaneamente as informações, o que pode causar prejuízo ao fluxo de ideias. Mas bem sabes tu que as diversas camadas dos planos espirituais, coexistem em estágios vibracionais próprios, não se trata portanto de um em cima e embaixo como suas visões simplistas gostam de convergir. Necessariamente uma colônia espiritual não está no alto, como uma zona umbralina não precisa estar embaixo dos teus pés.
Se aceitas que espíritos estão a tua volta e cruzam o teu espaço, sem se chocarem ou impactarem teu corpo físico, é perfeitamente viável que eles também guardem diferença de percepção entre si na realidade extrafísica. Por exemplo, ao teu redor neste instante circulam quatro espíritos desencarnados, dois que fazem a tua segurança astral percebem os demais, mas os outros dois habitantes deste espaço sagrado, movem-se e percebem uma realidade própria, de acordo com as condições espirituais de que são portadores. Não são maldosos, mas estão em recuperação em postos socorristas de natureza e objetivos espirituais diferentes.
Estes dois espíritos convalescentes não conseguem perceber-se um ao outro. Chego a lhe dizer que eles tem percepções um pouco diferenciadas da realidade astral deste recanto da natureza. Em seus movimentos de deslocamento, como agora mesmo, cruzaram-se no mesmo espaço sem perceberem-se mutuamente. Pois bem, se nessa pequena área, temos cinco realidades coexistindo, a tua de encarnado, a dos guardiões, a do primeiro e a do segundo enfermos, e outra dos elementais, porque não compreender que esse número não é limitado. Expanda seus conceitos...”

Retomando a explicação, locais como este aqui no Trilha reúnem as condições astrais e energéticas para facilitar o deslocamento de grandes contingentes de espíritos. Assim como, do reabastecimento de naves de transporte[4], sondas de prospecção e monitoramento, pequenos veículos de vigilância e naves de transporte orbital.
Novamente uma pequena agitação íntima foi suficiente para que o guardião ampliasse o influxo mental e explica-se:

“Antes que você me pergunte de novo, transporte orbital refere-se a veículos próprios[5] para deslocamentos até bases operacionais, colônias e laboratórios que ficam na estratosfera, na região espacial entre a Terra e a Lua, e até mesmo para transportes até o satélite natural terreno. A Lua como já foi informado por outros autores espirituais, guarda importante base de nosso comando planetário superior[6]. De lá emanam as ordens de nossos guardiões maiores, autorizadas por Miguel. Chamamos de transporte orbital por não ter condições etéricas e de sustentação da vida e proteção dos corpos astrais, para viagens a outros orbes e planetas, mesmo que dentro do sistema solar.
Pelo menos, com a tecnologia por nós desenvolvida, estes veículos possuem estas limitações. Outras tecnologias de transporte, não são propriedade da nossa organização aqui no Trilha e ficam por conta e posse dos amigos das estrelas. Mas esse é um assunto que não é objetivo deste nosso pequeno conto, não é mesmo?”

Pequenas imagens ou trechos de um vídeo editado são projetadas em nossa tela mental por Marabô, o que auxilia a entender alguns dos cenários mostrados.

“No que se refere ao quesito de transporte, esta localidade reúne as condições necessárias para a função. Contamos aqui com espaçoporto com docas ou plataformas apropriadas a cada fluxo ou natureza de transporte. Até mesmo alojamentos e, porque não dizer, celas apropriadas a natureza de pequenos grupos, assim como celas individuais, todas com campos de contenção[7] adequados a natureza energética e vibratória de futuros passageiros.
As celas são utilizadas quando da reunião de espíritos revoltosos, que triados e classificados de acordo com suas necessidades cármicas de reajuste espiritual, são reunidos por afinidade espiritual. Evitando que espíritos com necessidades corretivas ou de reajuste espiritual diversos, convivam no mesmo ambiente, criando suplícios equivocados para alguns e gerando prazer em outros. Como infelizmente acontece em vossos presídios terrenos.”

As imagens eram projetadas, mas tive a impressão de estar rememorando um passeio feito durante o sono por estes locais. No que recebi a concordância do guardião, explicando que isso facilitava o processo de intercâmbio e descrição neste momento da escrita. O passeio pelo local onde estavam os alojamentos, mostrou a existência de celas menores, não cubículos subhumanos como aqui na Terra, mas quartos individuais como os terrenos, com cama, algo como uma mesa e um reservado como vaso sanitário e pia. Mas as paredes, segundo pude perceber pelo aumento da percepção visual induzida, eram compostas por camadas cristalinas diversas, não sendo possível dizer o que era cristal e o que era campo de força. Pareciam um mix de campo de energia mais sútil e outra mais compacta lembrando estrutura cristalina.
“As necessidades de contenção aqui encontradas, vão muito além da necessidade de contenção física. Alguns espíritos apresentam condições deletérias[8] tão severas, que é necessário o isolamento viral e bacteriológico, assim como isolamento para vibrações radiotivas, para espíritos resgatados de zonas abissais mais profundas e próximas ao núcleo ou jazidas radiotivas terrenas.
Outros ainda, apresentam poder mental tão dilatado ou morbo psíquico tão doentio, que causariam loucuras e vertigens nos outros passageiros a serem transportados, caso fossem envolvidos na aura pestilenta de uns e agressiva de outros. De toda forma, temos recursos de contenção adequados a cada caso, e os espíritos só são reunidos em pequenos ou médios grupos quando conveniente e possível. Pois as segurança e a saúde de nossos trabalhadores está em primeiro lugar.”

Ainda pude perceber refeitórios, locais para palestras, alojamentos para os guardiões, enfermeiros e médicos do local e sem número de outras instalações que não tenho ideia para que servem. Muitas instalações projetam-se para dentro da estrutura dos morros. Não visualizei muitas estruturas externas com elevação na superfície. Foi-me explicado que a riqueza biológica, o verde abundante tem função equilibradora e medicinal,  sendo aproveitada ao máximo, com isso a natureza é o revestimento máximo usado na parte da superfície deste local sagrado.
Fui convidado a pequena excursão noturna de forma a aprofundar meus conhecimentos sobre a contraparte astral do Trilha. Durante a noite após um período breve de refazimento e projetos pessoais, fui conduzido para o Trilha que apesar de findando a noite terrena já apresentava uma luminosidade como se o Sol tivesse raiado mais cedo aqui neste local.
A movimentação era intensa, com grupos vestindo roupagens diversas e entabulando conversas circulassem  por caminhos demarcados nas matas. Alguns caminhos eram familiares mas apresentavam uma espécie de pavimentação com iluminação embutida mas não brilhante.
Marabô esclarece que esta dimensão percebida é a relacionada ao posto de socorro e transporte oficial da localidade, mas que nem todos os espíritos que se circunscrevem a região percebem o local da mesma forma. Fomos recebidos por um guia itinerante que teria a função de explicar mais alguns detalhes do posto socorrista.
Um tom jovial no rosto de Sérgio não me permitia ter muita clareza da idade dele, claro que era só uma aparência que por certo não tinha nenhuma correlação com sua experiência pessoal e grau de conhecimento, mas é a velha mania de tentarmos classificar ou enquadrar as pessoas em nossos padrões de observação.
“Seja bem vindo meu amigo, a noite foi movimentada pois a poucos instantes recebemos expressivo número de espíritos resgatados por uma falange de boiadeiros. Como é de costume temos a colaboração expressiva destes falangeiros que tem desempenhado função importante no resgate de espíritos desavisados e perdidos que ficam na psicosfera terrena na região da colônia, como é conhecida por vocês aqui no Sul do país.
Mas poderás ter um contato com um deles que é nosso colaborador assíduo e que tem chefiado algumas expedições de socorro e recolhimento.”

Dizendo isso, abraçou-me e apontou a direção para onde deveríamos nos dirigir. Apesar de ter vontade de olhar para todos os lados para registrar melhor o ambiente, sentia como que uma constrição mental, não chegava a ser um bloqueio, mas algo que direcionava a minha cabeça a olhar para a frente e para o amigo que me acompanhava nessa visita de reconhecimento.
“Não se sinta estranho, como a carga de informações é muito grande e você não tem a mente treinada para isso, seria muito natural você ter uma sobrecarga ou ver algo que lhe chocasse, gerando uma confusão mental que teria um efeito desastroso sobre suas lembranças, prejudicando totalmente o objetivo da excursão desta noite.
Somos forçados a reduzir tuas percepções e evitar que percebas ou olhes detalhes em demasia, que funcionariam qual uma luz incandescente de uma vela a queimar a mariposa deslumbrada.”

É, não é fácil pessoal, ainda temos que nos preparar a altura para qualquer tarefa espiritual. Creio mesmo que na maioria das vezes perdemos oportunidades preciosas de trabalho por não dar as condições mínimas necessárias para pequeninas tarefas como essa, por exemplo, de uma pequena visita espiritual aqui na crosta mesmo!
Chegando próximo a uma bifurcação entre duas trilhas, veio um homem alto, de ombros largos e sorriso no rosto, vestia um singelo colete de cor marrom, como a lembrar um colete de couro tipo daqueles de vaqueiros de filmes, não vi nenhum chapéu ou botas, como mais tarde ficaria pensando, no imaginário construído sobre esta falange.
“Bem vindo vivente! Então queres compreender um pouco mais nossa missão de trabalho nestas estradas e campos?”

Falou isso dando um abraço forte, que se fosse na carne com certeza faria meus ossos estalarem. Fiquei algo constrangido, por sentir que ele me conhecia mais do que eu a ele. Algo familiar, mas que não vinha a mente naquele instante, de onde eu conhecia esse sujeito?
Sérgio aproveita o meu espanto e explica a João Boiadeiro o propósito da minha visita e o projeto que estava iniciando com o guardião Marabô. Ao falar o nome do sujeito, relembrei a intervenção dele numa de nossas rodas de fogueira noturnas que alegremente acendíamos com os amigos aqui no Trilha em algumas ocasiões.
Naquela noite, em especial, João Boiadeiro tinha se manifestado explicando ao casal dono da reserva, que estava trazendo um grupo de espíritos para ser socorrido e transportado para outras paragens.
“Tá lembrando agora criatura? Sou eu mesmo, João Boiadeiro. Nossa responsabilidade é grande e temos um trabalho sério a desempenhar como falange nessa região do estado do Rio Grande do Sul.
Tal qual aquela vez em que me viste chegando, continuamos na mesma linha de atuação. Sendo que neste período de Carnaval aumenta a dificuldade e seriedade do intento. O consumo ainda mais acentuado de álcool, drogas e a ideia de “soltar a franga” nas épocas de folia, que muitos encarnados assumem nessa época, cria condições favoráveis para que espíritos que ficam normalmente mais circunscritos a determinadas regiões do astral inferior, acessem o plano terreno.
Não tem gente que diz que no carnaval abrem os “portões do inferno” para essa turma vir a Terra? Boiadeiro não vai dizer inferno, mas que tem até criatura fantasiada de capeta e de diabrete que vem pular com os irmãos de carne, ah! Isso Boiadeiro não vai negar não!
Lá na cidade as coisas devem ficar mais complicadas, mas aqui nas estradas de terra e nas propriedades rurais, nossa falange trabalha em parceria com os Guardiões especialistas destas vias na colônia. Aqui as necessidades de proteção e encaminhamento espiritual divergem um pouco daquelas da cidade. Pois aqui temos a abundância de espíritos da natureza[9] que em sua inocência, podem ser manipulados por magos das sombras e serem levados junto a grupos de algazarra, pelo contato com encarnados em desequilíbrio.
Imaginem a cena de um agricultor acostumado na lida com a natureza, respeitoso e amante de sua pequena propriedade, que cuida com carinho do pedaço de terra que Deus lhe confiou. Com zelo e carinho pelas matas e animais vai granjeando a simpatia e atraindo pequenos seres e, às vezes, pequenos grupos de espíritos elementais[10] que lhe auxiliam ou atrapalham em seus afazeres rotineiros da lida no campo.
Neste cenário, visualize como se dará a interação entre eles, se na época do carnaval este ordeiro agricultor sai para beber e farrear com outros tantos, formando um verdadeiro bloco da baderna, beberagem, luxúria e outras coisas que se tornam propícias nestes períodos de momo. Nada contra a diversão sadia de quem sabe se manter no seu lugar e não extrapola soltando o seu lado animal.
O problema é que temos encontrado junto a turba de espíritos dementados, beberrões, sexólatras e até assassinos, alguns espíritos da natureza que foram arrastados nessa vibração. E que depois são habilmente manipulados por espíritos de maior perversidade e inteligência para fins menos nobres de magia e escravidão.”

João Boiadeiro mostrou o semblante mais carrancudo, como se estivesse bravo, pois ele emprestava e deixava claro em sua voz a indignação com essa corrupção das forças da natureza, que com certeza são muito respeitadas por ele e sua falange de trabalho.
“Por isso, que não descansamos e redobramos nossos esforços nesse período para recolher e dispersar essas turbas aqui na região rural. Com a assistência insuperável dos Guardiões dos caminhos, recolhemos os espíritos por eles aprisionados nos campos de força, próximos a encruzilhadas específicas e outros locais que não me convém agora falar aqui. Nossa falange retira as criaturas e faz já uma classificação inicial, colocando-os em comboios próprios que trazemos para cá para serem depois reencaminhados para estruturas mais amplas e especializadas de tratamento, recuperação ou correção!”

“Puxa!” – disse alto mesmo sem abrir a boca – “ A coisa é séria mesmo. Não pensei que além dos próprios espíritos desocupados, pudéssemos atrair também espíritos de regiões próximas a Terra, e ainda menos, que a gente atraísse até elementais para nossos desregramentos no período do Carnaval.”
Eu estava realmente impressionado com a complexidade dos envolvimentos e de como arrastamos até outras pessoas e seres em nossos desvarios. Mas fiquei relacionando a importância do trabalho articulado entre as falanges dos Boiadeiros e dos Guardiões, responsáveis pelas estradas e ruas terrenas. Também me intrigou a necessidade da triagem imediata de espíritos já na fase de transporte até a nossa localidade do Trilha.
“O filho desconhece que cada um tem sua natureza? Nem todos são mal intencionados, a ignorância ainda é a mola mestra deste tipo de atuação. Por isso, não é raro encontrarmos aqueles que ficam nestas turbas quase num “efeito manada” sendo arrastados numa cauda magnética inferior de blocos e trenzinhos elétricos ou salões de baile, por não saberem que estão desencarnados. Normalmente, ficariam um grande período dentro de lares que não cultivam a oração, vivendo junto a seus familiares, a estranhar a falta de diálogo, mas em suas rotinas de comer, trabalhar e dormir, numa ilusão que se mantém por anos a fio.
Contudo, a baixa condição vibratória, o apego as sensações terrenas torna-os prezas fáceis, com num “canto de sereia” são atraídos e imantados a essas “turbas de foliões desencarnados” que num “trenzinho de carnaval” irresistível, ficam acoplados. A Justiça Divina que não perde da oportunidade de fazer o bem, mesmo na ação do mal, vale-se da retirada destas criaturas iludidas dos lares de sua afeição e os captura nas armadilhas astrais-energéticas montadas pelos Guardiões.
Infelizmente, nem todos tem o merecimento de cair nas armadilhas dos Guardiões para serem conduzidos por nós para lugares compatíveis com suas necessidades regeneradoras. E muitos acabam sendo depois levados para cidadelas no astral inferior, onde de acordo com o nível de enxarcamento de fluídos vitais restantes, os mesmos são sugados, dementados e vilipendiados até a exaustão de suas forças.
Como o filho já conhece, é a Lei atuando no esgotamento da criatura, dentro do mistério da Lei dos Guardiões, para que a criatura retorne para os braços do criador. Mas esse é o caminho mais difícil, longo e tortuoso né vivente!
Assim Boiadeiro prefere, sempre que a misericórdia e a justiça divina permite, levar esses rebanhos capturados de volta a casa do Pai, por um caminho mais curto e cheio de amor... haha ... ainda que muitos inconformados e chucros, fiquem corcoveando e não concordem. Mas nada que uma espora carinhosa e um chicote de luz, só pra assustar... haha ... não ajudem a acalmar. Doente caprichoso a gente trata com carinho mas com firmeza!”

E foi, assim que me dando outro abraço “quebra ossos” o João virou as costas e se foi, rindo e cantando alto um ponto que eu não consigo nem repetir, mas que era bonito de dar dó.... êta cabeça pequena para registrar tanta informação. Tenho que aprender a plasmar um gravador digital que toque quando desperto na Terra, pelo menos, para as músicas e pontos que escutamos aqui desse lado.
A claridade no horizonte já estava aumentando significativamente, e algo instintivamente me dizia que a visita estava acabando. Tinha vontade de ficar mais, conversar com outras pessoas e trabalhadores do local, mas vi que todos estavam ocupados, descontraídos e conversando, mas indo para algum lugar. Se tinha alguém ali em estado contemplativo, eu não vi não.
“Meu amigo, como tu mesmo já estás percebendo, é preciso retornar para  o corpo físico. Marabô pede que eu te explique que o objetivo desta pequena história foi atingido. O recado em sua essência básica de interesse de nossos gestores aqui na Trilha foi alcançado. Pequenos erros e distorções fazem parte desta caminhada que se inicia. Não vais ter apoio de quase ninguém e não receberás elogio. O que é muito bom para curar o ego adoecido e cultivar a humildade.
Continua o esforço das notas de rodapé esclarecedoras e corretivas. Como contos ficcionais de cunho espiritualista, as histórias podem trazer alegria e estimular a outros a um estudo mais sério e aprofundado da realidade extrafísica. E se assim alguém proceder, já teremos auxiliado muito.
Agora senta aqui neste banco, fecha os olhos e elevemos nosso pensamento ao nosso Pai Criador em prece por mais essa oportunidade!”

Com essas palavras foi que Sérgio colocando o braço ao redor dos meus ombros, tocou com a palma da mão em meu chackra cardíaco, tranquilizando e me colocando para dormir.

Inspirado por Guardião Marabô

 by Luis&Elisa


FICÇÃO ESPIRITUALISTA
Essas histórias ou estórias são ficção[11], qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência!




[1] Sítios vibracionais ou Pontos de Força seriam a referência mais aproximada ou correta relativo a estas localizações no plano físico e astral. Recomendo a leitura do post “Pontos de Força” no blog Luz na Umbanda, disponível em http://luznaumbanda.blogspot.com.br/2014/02/pontos-de-forca.html
[2] Avissais na explicação do espírito de João Cobu: “Temos ainda os elementais que se relacionam à terra, os quais chamamos de avissais. Geralmente estão associados a rochas, cavernas subterrâneas e, vez ou outra, vêm à superfície. Atuam como transformadores, convertendo elementos materiais em energia. Também são preciosos coadjuvantes no trabalho dos bons espíritos, notadamente quando há a necessidade de criar roupas e indumentárias para espíritos materializados.
Como estão ligados à terra, trazem uma cota de energia primária essencial para a reconstituição da aparência perispiritual de entidades materializadas, inclusive quando perderam a forma humana ou sentem-se com os membros e órgãos dilacerados.”  – Ângelo Inácio – “Aruanda” – Psicograf. Robson Pinheiro/Casa dos Espíritos.
[3] “[…]Durante muito tempo, os espíritos socorristas se viram obrigados a extraordinário dispêndio de energia mental para se manterem no ambiente hostil das dimensões inferiores e, ao mesmo tempo, desenvolverem suas tarefas de assistência espiritual. Diante dessa realidade, aplicando os recursos da engenharia sideral, os peritos do Plano Superior desenvolveram uma ideia ou um clichê, materializando-o, através da concentração da mente nos fluidos do meio astral. Fizeram isso, primeiramente, a partir da aglutinação de material fluídico existente nas regiões elevadas, conferindo-lhe uma forma aparente, que deu surgimento ao aerobús, uma espécie de nave que serviria tanto de transporte como de abrigo temporário aos espíritos em missão nas regiões mais densas. […]” – Ângelo Inácio – “Legião” – Psicograf. Robson Pinheiro/Casa dos Espíritos.
[4] Encontramos outra forma de abastecimento dos veículos de transporte no plano astral, como explicado a seguir pelo espírito de Jamar: “O aerobus tem por finalidade dinamizar o transporte dos espíritos sem consumir larga quota de energia mental, a qual poderá então ser direcionada a outras atividades. Esse veículo astral é capaz de se mover a velocidades incríveis e de se adaptar às constantes mudanças de ambiente, de acordo com a dimensão em que os tarefeiros encarnados e desencarnados estagiam. Absorvendo energias do imenso reservatório natural, usa como combustíveis a própria matéria astral e as partículas de antimatéria do ambiente astralino, elementos que têm a vantagem de nunca se esgotar. Os cientistas da alta espiritualidade desenvolveram uma forma de transformar a matéria mais densa das regiões inferiores, utilizando usinas e transformadores tão potentes que sua eficácia supera em muito as usinas atômicas da Terra. Equiparam cada aerobús com essas miniusinas, capazes de acelerar as partículas subatômicas da matéria astral e exercer empuxo para que o aerobús atinja a velocidade desejada pelo espírito que o conduz.” – Ângelo Inácio – “Legião” – Psicograf. Robson Pinheiro/Casa dos Espíritos.
[5] O espírito de Jamar também esclarece sobre outro tipo de naves de transporte para planos elevados ou planetas. “Esse modelo específico de aerobús, ou nave de resgate, como também é conhecido, atende também a outros objetivos — continuou Jamar. — Na realização de excursões a outros planos mais desenvolvidos do universo ou a outros mundos, emprega-se um modelo mais aprimorado desse veículo astral, já que para tal empreendimento é necessário, por parte do espírito, o dispendio de energia psiônica, denominada ainda força psi ou força mental. Esses equipamentos voadores ou interdimensionais criados pelos espíritos superiores com certeza revolucionaram as possibilidades de atuação nos meios mais densos do astral inferior. Devido a eles, um contingente maior de entidades resgatadas pode ser transferido de dimensão ou elevar-se na atmosfera psíquica do umbral, já que não dominam as forças do pensamento organizado e disciplinado.” – Ângelo Inácio – “Legião” – Psicograf. Robson Pinheiro/Casa dos Espíritos.
[6] “Existem bases de apoio dos guardiões espalhadas por diversos pontos do planeta, naturalmente dispostas em dimensões distintas, conforme a função de cada uma e a natureza da tarefa a que se destinam. No entanto, dirigimo-nos a um posto localizado no satélite natural do planeta Terra, a Lua. Lá, nas profundezas do subsolo lunar, está o mais importante centro de apoio dos guardiões a serviço da humanidade.” – Ângelo Inácio – “Senhores da Escuridão” – Psicograf. Robson Pinheiro/Casa dos Espíritos.
[7] Técnica apométrica de formação de campos de força. “Mentalizamos fortemente uma barragem magnética e projetamos energias para sua concretização, através de contagem até sete. Há de se formar um campo-de-força simples, duplo ou triplo, e com frequências diferentes - conforme desejarmos. A densidade desses campos é proporcional à força mental que os gerou. Costumamos empregar esta técnica para proteger ambientes de trabalho, e, principalmente, para a contenção de espíritos rebeldes.
Os antigos egípcios eram peritos nessa técnica, pois seus campos-de-força duram até hoje, conforme temos verificado. Usavam-nos para proteção de túmulos, imantação de múmias e outros fins.
A forma do campo tem grande importância, pois os piramidais, mormente os tetraédricos, têm tamanha capacidade de contenção que, uma vez colocados espíritos rebeldes no seu interior, eles não poderão sair - a menos que se lhes permita. Dentro desses campos, tais espíritos podem ser conduzidos para qualquer lugar, com toda a segurança e facilidade. Descobrimos que os ângulos diedros das pirâmides têm propriedades especiais: dificilmente se rompem e, assim mesmo, por ação de energias que, via de regra, esses espíritos não possuem.” José Lacerda de
 Azevedo – “Espírito/Matéria: novos horizontes para a Medicina” VEC Editora.
[8] Condições deletérias de espíritos para isolamento astral: “[...] O daimon ia à sua frente, com uma aparência meio masculina, meio feminina. Andrógino em seu verdadeiro sentido, cintilando radiações de um eletromagnetismo somente conseguido devido aos milénios que ficara prisioneiro nas dimensões mais ínfimas da subcrosta, junto a elementos radioativos que emitiam ondas de dimensões desconhecidas pelos humanos encarnados.[…]” .”  – Ângelo Inácio – “A Marca da Besta” – Psicograf. Robson Pinheiro/Casa dos Espíritos.
[9]Em princípio, todos os espíritos da natureza podem ser utilizados pelos homens nas mais variadas tarefas espirituais, para fins úteis. É bastante conhecida, por exemplo, a limpeza que se faz, em terreiros de Umbanda. de ambientes "carregados" , isto é, infestados de materiais e substâncias deletérias destinados a prejudicar pessoas. Nessas ocasiões, os pretos-velhos invocam Iemanjá e pedem licença para que o povo d'água limpe esses ambientes (lar, escritório, terreiro etc.), levando para o fundo do oceano a carga nefasta. Videntes percebem quando as sereias chegam em grande onda marítima, com longas redes de malha fina, arrebatando tudo que for daninho. Em nossos trabalhos espirituais costumamos usar essa prática salutar, principalmente por ocasião do encerramento.
Os espíritos da natureza - todos - são naturalmente puros. Não se contaminam com dúvidas dissociativas, egoísmo ou inveja, como acontece com os homens. Predominam, neles, inocência e ingenuidade cristalinas. Prontos a servir, acorrem solícitos ao nosso chamamento, desejosos de executar nossas ordens. Nunca, porém, devemos utilizá-los em tarefas menos dignas, ou a serviço de interesses mesquinhos e aviltantes. Aquilo que fizerem de errado, enganados por nós, refluirá inevitavelmente em prejuízo de nós próprios (Lei do Karma). Além disso, devemos usá-los na justa medida da tarefa a executar, para que não se escravizem aos nossos caprichos e interesses. Nunca esqueçamos de que eles são seres livres, que vivem a Natureza e nela fazem sua evolução. Podemos convocá-los ao serviço do Amor, para o Bem de nossos semelhantes - já que, com isso, lhes aceleramos a evolução. Mas é preciso respeitá-los, e muito. Se os usarmos como escravos, ficaremos responsáveis por seus destinos, mesmo porque eles não mais nos abandonam, exigindo amparo e proteção como se fossem animaizinhos domésticos. Com isso, podem nos prejudicar, embora não se dêem conta disso.
As Leis Divinas devem ser observadas. Terminada a tarefa que lhes confiamos, cumpre liberá-los imediatamente, agradecendo a colaboração e pedindo a Jesus que os abençoe.”José Lacerda de
 Azevedo – “Espírito/Matéria: novos horizontes para a Medicina” VEC Editora.
[10] “A grande maioria dos seres elementais não sente prazer na presença dos homens, porque os hábitos mentais e emocionais destes instintivamente repelem aqueles seres. Contudo, aqueles que se achegam ao contato com o ser humano podem ser de índole amistosa ou não, conforme o grau de afinidade que possuam com ele ou segundo a condução que tenham recebido de entidades-espírito.
Indivíduos com capacidade mental privilegiada, mas pouca lucidez espiritual e restrito sentido ético podem dominá-los, levando-os a desenvolver hábitos e vícios que definirão sua situação no plano onde se localizam, seja etérico ou astral.
Considerando seu estado natural de singeleza intelectual e falta de senso moral — ou seja, amoralidade —, os elementais podem estabelecer laços com alguns humanos, favorecendo-os direta ou indiretamente. Diante da simplicidade, que é uma de suas características, podem ser manipulados facilmente por uma mente adestrada e conduzidos a realização de tarefas ou propósitos mais ou menos elevados, conforme o desejo daquele que os guia, o qual se torna eticamente responsável pelo prejuízo causado a esses seres que vibram nos elementos.
São tão hábeis em sua ação sobre os humanos que são capazes de envolver certas pessoas e multidões inteiras em ilusões individuais ou coletivas, fazendo-as ouvir e ver exatamente aquilo que projetam no campo psíquico das criaturas. Por isso mesmo, são utilizados, no mundo extrafísico, por experientes manipuladores do magnetismo, entre os representantes das sombras. Embora sua habilidade para produzir imagens mentais com força emocional a elas associada, os elementais não detém a capacidade de dominar a mente humana, pois que vibram e existem num estágio evolutivo diferente e ligeiramente inferior ao do homem terreno. Essa realidade possibilita que sejam facilmente dominados pelo poder magnético de entidades e homens que os manipulam.
Em geral, não apreciam certos hábitos humanos, tais como o consumo de bebidas alcoólicas, tabaco e carnes, tanto quanto certos odores que emanam das pessoas com falta de higiene. Pressentem algo de incomum nos seres humanos que se caracterizam por algum desses comportamentos, evitando-os com asco. Tal atitude por parte dos elementais atesta sua extrema sensibilidade.” – Joseph Gleber – “Consciência” – Psicograf. Robson Pinheiro/Casa dos Espíritos.
[11]É claro que estou prestes a expressar um ponto de vista, com o qual, muitos espíritas não concordariam. Mas, facto é que a realidade de Voltz é análoga à de inúmeros autores que, na atualidade, são considerados escritores de ficção, de fantasia. Faz-se necessário abordar certas verdades, fora do âmbito espírita, atingindo alvos distintos daqueles que estão na mira dos escritores do meio espiritualista. Os Imortais, que nos dirigem de mais amplas dimensões, nos incumbiram de escrever numa linguagem apropriada a certo universo literário — digamos, mais materialista, que atraísse, também, determinado círculo de indivíduos que não têm acesso ao vocabulário e à mensagem espírita ou, simplesmente, não sintonizam com a forma religiosa de ver alguns problemas da vida.” – Ângelo Inácio – “A Marca da Besta” – Psicograf. Robson Pinheiro/Casa dos Espíritos.