A MATA REVELA SEUS SEGREDOS – Parte 2
CARINHO E ALIMENTAÇÃO ESPIRITUAL
A manhã estava linda, o sol brilhando alto no céu junto ao
canto das cigarras já indicava o calor que se aproximava. A paisagem acolhedora
do Trilha era um convite a reflexão e recolhimento espiritual, afinal ficara
compreendendo melhor a intensa atividade espiritual que ocorria nestas paragens
na contraparte etérea da localidade física.
Novamente Marabô paciencioso envolvia-nos em seus fluidos
tranquilizadores, visando despertar-me no íntimo acontecimentos últimos vividos
e aprendidos nos momentos do desdobramento astral.
“Meu
caro, é preciso tranquilidade, uma certa quietude mental para que a tarefa seja
facilitada. Recorda... recorda... em um, dois, três...“
E aplicando contagens pausadas e firmes, foi-me induzindo a
um estado de torpor e um pouco de apatia...
“Acorda
meu fio... abre de vez esses olhos.. tá andando de olho aberto mas dormindo por
dentro criatura.”
Era a vovozinha carinhosa que me abraçava, apertando meus
braços na altura do cotovelo, com uma intencionalidade que não percebia com
clareza.
“Combinei
com vosmice[1]
de contar um pouco mais sobre o trabalho de acolhimento espiritual que
realizamos aqui no Trilha, não é mesmo? Pois bem, nega véia não se faz de
rogada não e vai contar tudo tim-tim por tim-tim, como os filhos falam na
terra.
Marabô
já tinha te explicado da convivência simultânea, em várias faixas vibratórias
diferenciadas, que ocorrem aqui neste lugar sagrado. Para os mais entendidos ou
melhor esclarecidos espiritualmente, existe o posto de socorro e transporte,
com aquela triagem que o filho já é sabedor.
Mas
ainda permanecem cristalizados no passado, larga faixa de espíritos presos a
acontecimentos infelizes desta região. Aqui na região sul tivemos um dos
capítulos mais tristes vividos da história da escravidão em nosso país. As
Charqueadas[2]
representavam o que de pior poderia acontecer para os negô que vieram parar
aqui nessas terra do cruzeiro.
O
frio intenso, com a humidade que corrói os ossos dos mais velhos, aliado ao sal
grosso empregado no processo de elaboração do charque, criavam a combinação
perfeita para o sofrimento do meu povo. Ainda mais quando não era
potencializado pelos maus tratos dos sinhô e senhoras que não eram muito de
deitar mel em nossas feridas não...”
Com minha cabeça entre as mãos da vozinha, junto aos
carinhos e afagos de cafuné, um influxo de pequenas imagens era projetado na
córtex visual na estrutura astral de meu cérebro. Não sei se pelas mãos ou pelo
olhar da vó, as imagens iam ficando mais nítidas.
Via casarões antigos, com espaços de pequena altura que
ficavam abaixo no piso de madeira das
casas. Era um tipo de senzala para um grupo seleto de escravos, “que tinham o
privilégio” de dormir todas as noites abaixo do assoalho da casa dos seus
senhores proprietários. O chão era de barro batido e socado, limpo para não
exalar mau cheiro que pudesse ser sentido pelos patrões, mas húmido e
enregelante como uma geladeira nas noites frias gaúchas.
Aliás, o propósito maior também era de que ao terem os seus
escravos dormindo abaixo do assoalho de madeira grosso, o calor gerado pelos
corpos dos escravos, servisse para minimizar o frio das casas, ajudando a
aquecer os quartos dos senhores e senhoras proprietários que ficavam na parte
de cima.
Inverno ou verão, a rotina de pegar o gado, fazer o abate e
iniciar o processo de salga das fatias de carne cortadas adequadamente,
transformavam o charque numa peça de consumo da época, mas elaborada com muito
sofrimento animal e humano.
Com roupas escassas ou inadequadas, tendo de entrar na lama
ou na mata, os escravos acabavam tendo de despachar os restos dos animais e lavar
utensílios as margens dos arroios da região, em especial, do arroio Pelotas e canal
São Gonçalo, onde se localizavam as principais e maiores propriedades de
charqueadas da região sul do estado.
“Pois
é meu filho, imagine as barbáries que muitos sinhôs não cometiam nestes tempos,
contra negros e negras que consideravam como sendo de sua posse. Não estranhe
então que muitos dos que acabavam desencarnando sobre o açoite, ou pelas
feridas mal curadas, acabassem com o coração cheio de ódio cruzando a fronteira
dos dois planos, e indo aportar aqui no maior desequilíbrio mental e emocional[3].
As
escravas também não escapavam de serem exploradas, muitas vezes sexualmente, e
não raro tínhamos jovens mães sendo assassinadas e jogadas ou afogadas nos rios
para esconder o abusos de seus senhores ou familiares e empregados, algumas a
mando das esposas brancas inconformadas com a traição de seus hômi.
Como
é do conhecimento do filho, aqui no Trilha acabou se estruturando um Quilombo,
onde os negô que conseguiam fugir para cá, procuravam ter uma vida livre e
recuperar suas forças.
Mas
quem dera o coração de todos os negô que aqui chegassem conseguissem se
libertar também do ódio que nutriam em seus corações, muitos mesmo após aqui
chegados ainda na carne, organizavam expedições para resgatar alguns familiares
que tinham ficado, mas também para empreender processos de vingança contra seus
antigos senhores.
Não
raro, conseguiam raptar filhas e crianças das fazendas e charqueadas, cometendo
sandices tão graves quanto as quais foram vítimas. Muitos enlouquecidos ao
descobrirem que seus familiares haviam sido mortos ou castigados pela sua fuga,
voltavam todo o seu ódio e descarregavam no primeiro branco que aparecesse.
E o moleque
sabe que ódio banhado com sangue da vingança não alivia o coração de ninguém.
Imagine ainda se eles traziam pra cá, pra esse lugar sagrado, meninas e
mulheres para “servirem” a eles aqui no Quilombo.
Teve
um período onde a liderança de uma matriarca do Quilombo, que era a consagrada
para entrar em contato com os sagrados Orixás, impediu que essas escravas
brancas aqui ficassem, mandando elas serem devolvidas a suas famílias. Mas
teimoso, não tem cor não meu filho..., e muitos negô acabavam levando essas
mulheres para um lugar no mato e guardavam elas escondidas lá, para usarem e
maltratarem. Episódios tristes meu filho amado, que só serviram para aprofundar
as chagas morais de espíritos em resgate, que todos somos com a misericórdia de
Olorum.”
As cenas eram fortes, vi mulheres brancas e mestiças de
roupas rasgadas, sujas e esquálidas, em claro sinal de fome e maus tratos.
Muitas de olhos enlouquecidos de pavor, pareciam correr por entre os matos,
algumas já sem seus corpos físicos... e alienadas de sua situação.
A organização do Quilombo parecia ter evoluído com o tempo,
pois o local era bem protegido pelo relevo da geografia e pela correnteza forte
de pequenos rios, que faziam frente nos pontos de acesso a região.
“A
véia tá contando esses mistério pra vosmicê para ajudar a compor o pano de
fundo para a realidade espiritual que ainda continua se estruturando e em
vigência nalgumas faixas vibratórias deste santuário.
Você
sabe que o ódio é capaz de paralisar a criatura no tempo, quando ele é
extremado é capaz de criar um ciclo contínuo dos acontecimentos infelizes, como
num filme que recomeça automaticamente após ter chegado ao final. As criações
mentais destes espíritos revoltados (brancos, negros e mestiços) criam a
atmosfera psíquica que é capaz de deixá-los séculos paralisados nas mesmas
cenas e ocorrências[4].
Tem
espírita e umbandista que acha estranho que ainda existam espíritos presos nas
faixas da grandes guerras mundiais que assolaram este planeta azul lindo de
Oxalá. Imagine se nega falar que ainda existem escravos presos no ciclo mental
doentio do período da escravidão dos séculos já passados. “Quem num quisé
acredita que num acredite”, mas é verdade que nem eu só sei.
Desta
forma, quando conseguimos reunir uns poucos de cada vez, para sair desta faixa,
nós organizamos eles em pequenos grupos. Não adianta violentar essas
consciências frágeis ainda presas no ódio, eles já sofreram violência demais
para que o ácido da verdade ferina e descaridosa lhes aprofunde as chagas mal
curadas. O amor nesse caso é o remédio maior e mais urgente. O esclarecimento
só será útil se regado com o amor da compreensão e da paciência. Aqui arrogante
não tem vez no trabalho da caridade, e os pseudosábios tem lugar garantido com
sua sapiência noutras atividades, mas não aqui neste recanto de recuperação e
reajustamento espiritual.
Esses
pequenos grupos são selecionados pela triagem de grupos mais entendidos que a
nega véia aqui, atualmente estou com um grupo de cinco criaturas que não
enxergam ninguém mais do que a eles mesmos e, por misericórdia para comigo,
enxergam a mim.
Hehe...
assim mesmo, véia, gorda, meia coxa de uma perna, rengueando e com essas roupas
encardidas de saco, para eles se sentirem à vontade com essa nega que carrega
ainda muito fardo pesado no próprio coração.
Às
vezes a luz muito radiante ofusca os olhos de quem passou muito tempo da
escuridão do ódio e da incompreensão meu menino. Desse jeitinho que tu e tua
nega me percebem, é que eu vou me achegando deles. Transbordando o meu amor,
meu dó verdadeiro por essas criaturinhas, tão necessitadas de quem lhes trate
as ferida e lhes alcance um pouco de comida[5]
e agasalho.
Esses
pequenos grupos, são incapazes de enxergar as outras faixas vibratórias que
vibram nesse momento aqui no Trilha. Como foram magnetizados com carinho por
nossos chefes aqui, eles mantém o seu frágil equilíbrio se reunindo em nosso
pequeno grupo de andarilhos e maltrapilhos.
Não
tenho casa ou tenda, faço abrigos improvisados com eles, dormimos muitas vezes
em meio a natureza, na volta de uma fogueira ou debaixo de uma árvore mais
frondosa, e quando o pai criador nos brinda com uma lua e céu estrelados,
costumo contar minhas estórias olhando o céu de figada (como diz tua amada)
coalhada das estrelas de onde viemos.
Mas
não é fácil não, dada ao estado mais precário, o tônus vibratório mais denso
dificulta para que eu possa plasmar ou utilizar dos alimentos produzidos na
faixa vibratória de nosso posto de socorro e transporte. Os alimentos ali são
mais sutis, de uma tessitura que não é perceptível para este pequeno
grupamento.
Valho-me
então da ajuda dos elementais, das doações de ectoplasma de nosso amigo
encarnado proprietário deste local, e dos grupos de boa vontade que volta e
meia vêm ao Trilha para realizar atividades espirituais.
Com
os recursos limitados que se conseguem, nós plasmamos os alimentos na densidade
adequada para que os mesmos sejam realmente percebidos por estes pacientes em
recuperação. Com isso eu acabo não desperdiçando nenhuma oportunidade, toda
energia amorosa é bem vinda e útil nesta seara aqui do Trilha.
Aproveito
pessoas de sensibilidade mediúnica mais afeita ao transporte e higienização
espiritual, e faço pequenas aproximações, um pequeno “choque anímico[6]”
mais por aproximação no contato com a aura dos médiuns, do que por um processo
de incorporação acentuado. Muitos auxiliam dessa forma sem o saberem,
hehe... talvez com um leve arrepio ou
tontura, mas que nega véia logo em seguida ajuda, dando aquela movimentação de
fluídos, para dispersar alguma coisinha parada e pros filhos não se sentirem
mal depois ... hehe!”
A cena que me era mostrada agora, era reveladora, vi uma
roda de pessoas alegres, conversando alegremente e rindo, tomando aquele
chimarrão característico e petiscos. Vi a vozinha trazendo um pequeno espírito
infantil, um mulatinho magrinho e ossudo, com os olhos grandes e sorrindo.
Observei a vó abraçando o moleque e aproximando ele da aura de uma das moças encarnadas,
por traz, como se fosse uma janela para ser debruçada. Notei que a moça começou
a rir um pouco mais intensamente, e ficar com as bochechas rosadas.
Claramente, num processo de amplificação das emoções
psíquicas do momento. Não dava para saber se o riso era da piada contada ou da
alegria daquela criança magrinha em ser acolhida na tessitura física daquela
moça robusta.
O resultado foi lindo de se ver, pequenas manchas
esbranquiçadas na pele do menino, como que por encanto estavam desaparecendo, e
quando a vozinha suavemente puxou ele pelos ombros para trás, a pele estava
totalmente recuperada e achei ele até mais gordinho.
“O
filho viu como funciona, não tira pedaço de ninguém e foi autorizado pelos
maiores que dirigem este local. Na verdade, aquela moça é médium em potencial,
já trabalha com sua mediunidade semanalmente, e de bom grado, ainda que de
forma inconsciente, concordou com a aproximação fluídica. Ambos se
beneficiaram, os fluídos mais densos dela também foram manipulados por técnicos
nossos do astral[7],
que o filho não conseguiu perceber no momento, e até o ectoplasma dela foi
renovado. Água parada fica estagnada e estraga, quando a água flui, se renova,
e o fluxo da vida ganha mais intensidade. Com o ectoplasma o processo é o
mesmo. Tem muita enfermidade disfarçada de fluído estagnado pelo não uso. Ah!
Meu Deus, quanto médium curador que anda dando cabeçada por ter seus recursos
fluídicos paralisados na estagnação, e quanto poderíamos fazer por eles, ao
trocar o velho pela água nova da caridade, em forma de benção fluídica[8].”
Olhando melhor a cena, percebi que uma luz mais brilhante,
ainda que sutil, irradiava da aura da moça que participou daquele processo
espiritual. Pensei em quantas oportunidades de trabalho temos e teremos, desde
que a gente conserve nosso coração cheio de bons propósitos e disponibilidade
para servir.
Como se o filme fosse avançado, ou trocando a cena para
outro contexto, percebi a vozinha preparando como que um fervido[9],
parecia algo como uma grande panela de barro em cima de uma fogueira, escorada
por pedras e outras coisas. Pequenas tigelas de barro eram usadas para servir a
sopa, mas percebi que o caldo tinha pedaços grandes de várias tonalidades[10],
não era só água como aquele caldinho servido naquele hospital, ao André Luiz
doente, no filme do Nosso Lar.
A
véia já te explicou meu filho, que estes queridos que são aqui reunidos para
ficar sob os cuidados da nega véia, precisam de fluidos mais densos e
energéticos para um recuperação mais rápida de seus corpos espirituais.
Décadas,
e até centenas de anos, em pleno ódio animalizante, causaram alterações
profundas na tessitura do períspirito desses filhos. Muitos perseguidos, como
capitães do mato, que caçavam escravos, após serem supliciados por décadas,
precisaram até ser infantilizados, ou seja, tiveram sua forma perispiritual
reduzida para crianças, com duplo objetivo: primeiro para lhes dar uma trégua
nas lembranças das ações infelizes, pois a memória também é regredida ou
“despolarizada” para dar paz de espírito aos gritos de ódio que ecoavam em suas
mentes; segundo para que seus algozes não conseguissem “por enquanto”
detectarem suas presenças ou reconhecê-los, alguns até foram ..hehe... escurecidos
para ficarem parecidos com neguinhos, e trazidos para cá, para receberem a
benção da caridade no mesmo local onde buscaram durante a encarnação muitos
escravos fujões... hehe... eta sabedoria divina e misericórdia sem fim daquele
pai lá de cima!
Rindo gostosamente, vi a vó saindo com seu gingado, pois
sua cintura grande e aquela perna arrastando despertavam uma compaixão tão
grande quanto aquela que nascia em nossos corações com a alegria do seu abraço
e olhar.
Talvez alguém se pergunte, mas porque ela ainda está
mancando, ou passando trabalho, dormindo ao relento junto com espíritos
endividados e em andrajos? Eu só sei que na sabedoria sem fim daquele coração
acostumado as aflições da vida, com certeza, foi a forma que ela encontrou para
despertar uma forte empatia naqueles outros seres sofridos, que enxergam nela
uma igual a eles, mas que reúne forças, sabe lá de onde, para amar-lhes todas
as chagas e nódoas morais, sem nojo ou julgamento. Na certeza, de que “o amor
cobre a multidão de pecados”.
Inspirado por uma Vó do
coração...
by Luis&Elisa
FICÇÃO ESPIRITUALISTA
Essas
histórias ou estórias são ficção[11],
qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência!
[1] É a segunda pessoa do
singular, termo usado no Brasil colonial que caiu em desuso. Termo foi
substituído por "Você". Vosmecê é a contração de vossemecê, forma
antiga de você ou vocês.
[2] “A consolidação das charqueadas, grandes propriedades rurais de caráter
industrial, só se dá no século XIX, às margens dos arroios Pelotas, Santa
Bárbara, Moreira e canal São Gonçalo. O gado, matéria-prima, era proveniente de
toda a região da campanha rio-grandense, era fruto da multiplicação de
exemplares trazidos pelos espanhóis para a Banda Oriental no início do século
XVII. […] As charqueadas tinham em média 80 escravos […] Em 1820, eram 22
charqueadas (depoimento de Auguste de Saint-Hilaire) e, em 1873, 38. […] O
número de abates, num total de 400 mil cabeças de gado por ano. […]A
insalubridade do ambiente fará com que o núcleo urbano diste 6 km do
núcleo fabril. A mão de obra escrava encontrará no trabalho do charque seu
maior flagelo. […]”. Fonte Wikipedia
[3] Trazemos o exemplo mostrado
pelo orientador de André Luiz, num caso de possessão completa, por um espírito
vítima da escravidão. “– Não desejamos
forçá-lo, meu irmão – acentuou o amigo com serenidade evangélica –, tranquilize-se!
Enquanto alimentar propósitos de vingança, será castigado por si mesmo. Ninguém
o molesta, senão a própria consciência; as algemas que o prendem à inquietude e
à dor foram fabricadas pelas suas próprias mãos!
– Nunca! – bradou o
desventurado – nunca! E ela?
Fez acompanhar a pergunta de
horrível expressão e continuou:
– O senhor que prega a
virtude justifica a escravidão de homens livres? Acredita no direito de
construir senzalas para humilhar os filhos do mesmo Deus? Esta mulher foi
perversa para nós todos. Além de meu esforço vingador, vibram de ódio outros
corações que não a deixam descansar. Persegui-la-emos onde for.
Esboçou um gesto sinistro e
prosseguiu:
– Por simples capricho, ela
vendeu minha esposa e meus filhos! Não é justo que sofra até que nos restitua?
Será crível que Jesus, o Salvador por excelência, aplaudisse o cativeiro?” – André Luiz – “Missionários da Luz” – Psicograf. Francisco Cândido Xavier/6FEB.
[4] “Reunidos tais Espíritos pela lei da correspondência vibratória, criam
seus infernos, onde todos participam do sofrimento de todos, pois as cenas
gravadas no espaço, dos diversos tipos de suicídios, mais os assustam e
atemorizam. O mesmo acontece aos criminosos, aos avarentos, aos portadores de
viciações várias. Yvone Pereira nos relata em seu livro, Devassando o Invisível, que visitara em desdobramento, cerca de
dez entidades em pequeno e miserável compartimento, em promiscuidade chocante.
Essas entidades enfermas, conscientes de suas culpas, cercavam-se de visões por
elas criadas no ambiente, que consistiam em lutas corporais, assaltos, seduções
de menores, roubos, assassinatos, obsessões e suicídios.
O solo do compartimento
apresentava-se encharcado de sangue e humores fétidos. Mesmo a porta
permanecendo aberta, não conseguiam fugir, por terem que passar pelo terreno
adiante, onde viam erguer-se da lama sanguinolenta, mãos humanas súplices,
cabeças desgrenhadas, olhos aterrorizados, cadáveres estirados, braços, pernas,
enfim, uma visão macabra que nenhum filme de horror, por mais assustador,
conseguiria exprimir com fidelidade.
Uma velha negra (destaque nosso) que velava por tais entidades, ao
servir-lhes comida, repasto ornado de legumes e hortaliças, era tomada de
imensa piedade, quando estes repudiavam os pratos, atirando-os à distância, no
que choravam e se lamentavam. Por ação de suas mentes viciadas, abrigando as
visões dos quadros deprimentes dos quais foram autores, ao olharem os pratos,
imprimiam neles as suas criações mentais de orelhas, línguas, olhos, corações,
pés, postas de carne humana, em substituição aos legumes e hortaliças, criações
mentais da velha guardiã.
A médium, em conversação com a negra (destaque nosso), ouve a seguinte afirmativa: ‘Todo o
ambiente que distingues aqui, minha irmã, excetuando-se a cozinha, é criação
mental vibratória destes dez criminosos’.” – Luiz Gonzaga Pinheiro – “O períspirito e suas modelações” – Editora
EME.
Fiz os destaques no
texto, pois só tive acesso a esse livro uns seis meses depois das primeiras
experiências mediúnicas com essa vozinha carinhosa, que anonimamente faz
trabalho semelhante ao relatado na presente obra citada. O amor incondicional
de nossos Pais e Mães Velhas cria ilhas de caridade nas regiões umbralinas
profundas ou próximas à crosta terrena.
[5] “Em poucos minutos, verifiquei, admirado, a necessidade de
alimento.
Não experimentava a aflição dos estômagos famintos da esfera carnal.
Sentia, no entanto, determinado enfraquecimento que sabia, de antemão, sanável
pela ingestão de algum recurso líquido.
Minha filha compreendeu o
que se passava, porque, daí a instantes, me trazia pequeno recipiente com certo
suco de plantas de minha nova moradia.
Sorvi-o com alguma
dificuldade, nele encontrando delicioso sabor.
A anemia cedeu como por
encanto. “ – Irmão Jacob – “Voltei” –
Psicograf. Francisco Cândido Xavier/FEB.
[6] “Na comunicação física (o corpo do médium como
veículo) o perispírito do médium encarnado absorve parte dessa energia
cristalizada, diminuindo-a no Espírito, e ele, por sua vez, receberá um choque
do fluido animal do instrumento (choque anímico – destaque nosso!),
que tem a finalidade de abalar as camadas sucessivas das ideias absorvidas e
nele condensadas. [...]
Quando um Espírito de baixo
teor mental se comunica, mesmo que não seja convenientemente atendido, o
referido choque do fluido animal produz-lhe alteração vibratória melhorando-lhe
a condição psíquica e predispondo-o a próximo despertamento. No caso daqueles
que tiveram desencarnação violenta — suicidas, assassinados, acidentados, em
guerras — por serem portadores de altas doses de energia vital, descarregam
parte delas no médium, que as absorve com pesadas cargas de mal estar, de
indisposição e até mesmo de pequenos distúrbios para logo eliminá-las,
beneficiando o comunicante que se sente melhor... Eis porque a mediunidade
dignificada é sempre veículo de amor e caridade, porta de renovação e escada de
ascensão para o seu possuidor.” – Manoel
Philomeno de Miranda – “Trilhas da Libertação” – Psicograf. Divaldo P. Franco/FEB.
[7] “A etapa inicial do nosso trabalho coroa-se de
bênçãos [...] Desejávamos produzir um choque anímico em nosso irmão para
colhermos resultados futuros [...] A partir daquele momento, o Espírito passou
a experimentar sensações agradáveis, a que se desacostumara. O mergulho nos
fluidos salutares do médium propiciou-lhe uma rápida desintoxicação,
modificando-lhe, por um momento embora, a densa psicosfera em que se situava.“ – Manoel Philomeno de Miranda – “Nas Fronteiras da
Loucura” – Psicograf. Divaldo P. Franco/FEB.
[8] “Não ignora o amigo que, do mesmo modo que o médium, pelo perispírito,
absorve as energias dos comunicantes espirituais que, no caso de estarem em
sofrimento, perturbação ou desespero, de imediato experimenta melhora no estado
geral, por diminuir-lhes a carga vibratória prejudicial, a recíproca é verdadeira
[...] Trazido o Espírito rebelde ou malfazejo ao fenômeno da incorporação o
perispírito do médium transmite-lhe alta carga fluídica animal, chamemo-la
assim, que bem comandada aturde-o, fá-lo quebrar algemas e mudar a maneira de
pensar[...]“ – Manoel Philomeno de
Miranda – “Loucura e Obsessão” – Psicograf. Divaldo P. Franco/FEB.
[9] “Vi os servidores do Posto distribuírem pequenas porções de alimento
líquido e medicação bucal, em profundo silêncio. Em seguida, forneceram
reduzidas quantidades de água efluviada aos infelizes, com exceção, porém, de
muitos que pareciam preparados a receber, tão somente, caldo e remédio. Dois terços dos quatrocentos abrigados em
tratamento receberam passes magnéticos. Alguns poucos receberam aplicações do
sopro curador.“ – André Luiz – “Os
Mensageiros” – Psicograf. Francisco Cândido Xavier/FEB.
“Terminada a oração, chamou-nos
à mesa a dona da casa, servindo caldo
reconfortante e frutas perfumadas, que mais pareciam concentrados de fluidos
deliciosos. [...] não podemos prescindir dos concentrados fluídicos, tendo em
vista os serviços pesados que as circunstâncias impõem. Despendemos grande
quantidade de energias. É necessário renovar provisões de força.” – André Luiz – “Nosso Lar” – Psicograf. Francisco
Cândido Xavier/FEB.
[10] “Quanto à
alimentação, apesar de o períspirito ser portador do sistema digestivo
completo, bem como do sangue que corre nas veias e artérias, impulsionado pelo
coração distribuindo substâncias vitais, ela não se faz de maneira análoga para
todos os Espiritos.
Os recém-desencarnados que possuem o hábito da
alimentação pesada, tais como vísceras, caldos gordurosos, pastosos e
derivados, sofrem intensa necessidade de tais alimentos, e os recebem; só que
fluídicos, satisfazendo assim seus apetites, aliviando o sofrimento imposto
pela fome, que não se vê saciada com alimentação mais sutil. Apesar de não mais
existir o corpo físico, exige o alimento igualmente físico, portanto proteínas,
glicídios e sais minerais, cuja função é fornecer as calorias necessárias à massa
do corpo suprindo suas exigências plásticas e energéticas, essa dieta alimentar
impõe-se por uma necessidade psicológica relacionada ao volume, peso e sabor,
correspondente ao regime outrora praticado.
Outro tipo de alimentação mais refinada, usada por
aqueles que procuram libertar-se dos hábitos terrenos, é formada por sucos
etéricos de frutas, caldo de essências reconfortantes e água misturada a
elementos magnéticos. Esses alimentos são utilizados nos postos de socorro e
servem aos Espíritos que descem aos charcos de dor em missões de resgate,
devido às condições do meio não possibilitar inalação de princípios vitais da
atmosfera através da respiração. No entanto, o tipo de alimentação do
períspirito que conseguiu adaptar-se ao meio astral é o da osmose magnética;
esse método consiste na absorção e eliminação
do magnetismo ambiental. Pelos poros, utilizando produtos da Natureza, o
períspirito se abastece, podendo excretar os resíduos formados, pela exsudação
epidérmica ou pelas vias excretoras normais, sem o excesso de sólidos e
líquidos dos excrementos comuns aos encarnados. Substituindo a quantidade pela
qualidade, e sendo os elementos absorvidos altamente imponderáveis, estes são assimilados quase que integralmente,
deixando escassos resíduos a serem eliminados. .” – Luiz Gonzaga Pinheiro – “O períspirito e suas
modelações” – Editora EME.
[11] “Muitos
escritores da chamada, ficção histórica, da ficção científica e da futurâmica
espacial penetraram na realidade do espírito através da intuição e trouxeram
elementos preciosos para o enriquecimento do pensamento espiritual. Ou seja,
alguns autores vivenciaram certas experiências, através de sonhos,
desdobramentos e êxtase e, após essas vivências fora do corpo ou em estado
alterado de consciência, interpretaram e colocaram no papel o resultado de suas
observações.” – Ângelo Inácio – “A Marca da Besta” – Psicograf. Robson
Pinheiro/Casa dos Espíritos.


